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Fiador no arrendamento: é obrigatório? Como funciona?

A resposta rápida: não é obrigatório por lei, mas o senhorio pode exigir como condição para celebrar o contrato. Aqui fica tudo o que precisas de saber sobre fiança no arrendamento em Portugal em 2026.

Atualizado 2026·9 min

O que é um fiador?

O fiador é uma terceira pessoa que se compromete a pagar as obrigações do inquilino caso este não cumpra. É uma garantia para o senhorio: se o inquilino deixar de pagar a renda, ou causar danos, o senhorio pode exigir o pagamento ao fiador.

Está regulado pelos artigos 627.º e seguintes do Código Civil. No arrendamento, é a garantia mais comum em Portugal, mais ainda que a caução.

É obrigatório?

Não. Nenhuma lei portuguesa obriga a ter fiador num contrato de arrendamento. Mas o senhorio pode condicionar a celebração do contrato à existência de fiador - é uma exigência contratual, não legal.

Quando o senhorio é mais flexível? Tipicamente em três casos:

Quem pode ser fiador?

Qualquer pessoa singular maior de 18 anos, capaz e idóneo financeiramente. Na prática, os senhorios procuram:

Boa prática Pede ao fiador recibo de vencimento ou IRS dos últimos 2 anos. Se o fiador for desempregado ou reformado com pensão baixa, a fiança vale pouco em caso de execução.

Quais as responsabilidades do fiador?

A regra padrão é a responsabilidade solidária: o senhorio pode exigir o pagamento direto ao fiador, sem precisar de tentar primeiro contra o inquilino. As responsabilidades incluem:

  1. Rendas em falta, incluindo juros de mora.
  2. Danos no imóvel além da caução.
  3. Indemnização por incumprimento contratual.
  4. Custas e honorários se houver execução judicial.

A fiança mantém-se durante toda a vigência do contrato e respetivas renovações automáticas, salvo cláusula em contrário ou exoneração expressa.

Como exonerar-se da fiança?

O fiador pode pedir exoneração em duas situações:

A exoneração deve ser sempre por escrito, registada com aviso de receção, para haver prova.

O nosso contrato inclui cláusula de fiador opcional.

Bem redigida, com responsabilidade solidária e cláusula de exoneração legal. Se o teu inquilino tiver fiador, está coberto.

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Alternativas ao fiador

Se o teu inquilino não tiver fiador, há outras formas de dar garantias:

1. Seguro de renda

Companhia de seguros que cobre rendas em falta + danos. Custo típico: 4-7% da renda mensal. Inquilino paga, senhorio recebe garantia.

2. Caução depositada em conta bloqueada

Inquilino deposita a caução (até ao valor de duas rendas, artigo 1076.º, n.º 2, do Código Civil) numa conta especial do banco. Banco só liberta com acordo das duas partes ou ordem judicial.

3. Adiantamento maior

A lei permite antecipar o pagamento da renda até dois meses, com acordo escrito (artigo 1076.º, n.º 1, do Código Civil). A caução tem um limite separado: até ao valor de duas rendas (n.º 2). É comum acordar caução de 2 rendas mais a 1.ª renda paga, ou seja, 3 rendas à entrada.

4. Garantia bancária

O banco emite garantia ao senhorio até X meses de renda. Mais formal, custa cerca de 1-2% ao ano sobre o valor garantido. Comum em arrendamentos comerciais.

Cláusula de fiador num contrato - o que deve dizer

Uma cláusula sólida deve incluir:

Perguntas frequentes

Pode haver mais do que um fiador?

Sim. É frequente os pais do inquilino assinarem ambos como fiadores. A responsabilidade pode ser solidária (cada um responde por 100%) ou repartida.

O fiador pode dar habitação?

Não. A fiança é apenas garantia financeira. O fiador não tem direito ao imóvel.

O que acontece se o fiador falecer?

A fiança transmite-se aos herdeiros, até ao limite da herança recebida. Mas o senhorio pode exigir um novo fiador como condição para manter o contrato.