Início › Recursos › Caução

Caução: quanto pode pedir o senhorio e quando devolve?

A caução é uma garantia em dinheiro entregue à entrada do contrato, devolvida no fim. Mas há limites, regras e timings. Aqui fica o guia 2026.

Atualizado 2026·7 min

O que é a caução no arrendamento?

A caução é um depósito de garantia que o inquilino entrega ao senhorio à entrada do contrato. Serve para cobrir eventuais rendas em falta, danos no imóvel, ou indemnizações por incumprimento. Deve ser devolvida no fim do contrato, deduzidas eventuais retenções justificadas.

Está prevista no artigo 1076.º do Código Civil. Não é obrigatória - depende de acordo entre as partes - mas é praticamente universal nos contratos de arrendamento residencial em Portugal.

Quanto pode pedir o senhorio?

O Código Civil fixa um teto. O artigo 1076.º, n.º 2, diz que as partes podem caucionar, por qualquer das formas legalmente previstas, o cumprimento das obrigações respetivas, até ao valor correspondente a duas rendas.

Exemplo: com uma renda de €800, a caução máxima é de €1.600.

Caução não é adiantamento de rendas São duas coisas diferentes, com limites próprios no mesmo artigo. O pagamento antecipado da renda só é possível com acordo escrito e por um período não superior a dois meses (artigo 1076.º, n.º 1). A caução, que garante o cumprimento do contrato, vai até ao valor de duas rendas (n.º 2). Pedir 3 meses de rendas adiantadas ou uma caução de 3 rendas fica acima do que a lei permite.

Forma de entrega da caução

Há várias formas, com diferentes níveis de proteção:

  1. Transferência bancária para conta do senhorio - mais simples, mais comum, menos segura para o inquilino.
  2. Conta bloqueada (escrow) - mais segura, mas envolve banco. Os 2 só conseguem mexer com acordo ou ordem judicial.
  3. Cheque visado - formato antigo, ainda usado.

Independentemente da forma, o contrato deve especificar: valor, data de entrega, forma, e condições de devolução.

Quando deve ser devolvida?

O artigo 1076.º não fixa um prazo para a devolução da caução. Por isso, o mais seguro é o contrato dizer quando e como é devolvida (por exemplo, até 30 dias depois da entrega das chaves e da vistoria do imóvel).

Em prática, o processo correto é:

  1. Inquilino entrega as chaves ao sair.
  2. Senhorio faz vistoria do imóvel com o inquilino presente (ou pelo menos avisado).
  3. Se houver danos: deduz-se valor justificado da caução.
  4. Senhorio devolve o restante por transferência bancária, no prazo fixado no contrato.

Auto de vistoria? Está incluído no nosso pack legal.

Adiciona o template de auto de vistoria ao teu contrato - protege a tua caução com prova fotográfica do estado inicial.

Gerar contrato + pack →

Quando o senhorio pode reter (parte da) caução?

Apenas em situações justificadas e comprovadas:

Danos vs. desgaste normal - onde está a linha?

Esta é a maior fonte de litígios. Critérios práticos:

Desgaste normal (não retém)Dano (pode reter)
Pintura amarelada por usoFuros grandes nas paredes
Marcas leves de móveis no chãoRiscos profundos em soalho
Selaria de banheira escurecidaBanheira partida
Eletrodomésticos com sinais de usoFrigorífico avariado por má utilização

Como o inquilino se protege

  1. Auto de vistoria à entrada, com fotos. Anexar ao contrato.
  2. Recibos de todas as quantias pagas, incluindo a caução.
  3. Cláusula clara no contrato sobre o valor da caução, forma de entrega, e prazo de devolução.
  4. Estado de conservação à saída documentado também (auto de vistoria final).

O que fazer se o senhorio se recusar a devolver?

  1. Pedir por escrito, registado com aviso de receção, indicando o prazo de devolução fixado no contrato.
  2. Sem resposta, recorrer ao Centro de Arbitragem do Setor da Habitação (resolução extrajudicial).
  3. Em última instância, ação judicial nos Julgados de Paz (até €15.000) ou Tribunal Cível.