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Atualização de rendas em 2026: coeficiente, regras, exceções

Em 2026 o coeficiente legal de atualização anual é 2,24% (1,0224). Mas para o aplicares ao teu inquilino, há um conjunto de formalismos que tens de cumprir. Sem eles, a renda não sobe.

Atualizado outubro 2026·7 min

O coeficiente de 2026

O coeficiente é apurado pelo INE com base na variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC, sem habitação) e publicado em aviso no Diário da República até 30 de outubro do ano anterior. Para 2026, o coeficiente legal é 1,0224 (subida de 2,24%), publicado no Aviso n.º 23174/2025/2 (Diário da República, 2.ª série, n.º 181, de 19 de setembro de 2025).

Em renda mensal:

Renda atualRenda atualizada (2026)Diferença mensal
€500€511,20+€11,20
€800€817,92+€17,92
€1.200€1.226,88+€26,88
€1.800€1.840,32+€40,32

E em 2027?

O coeficiente para 2027 já foi publicado: 1,0256 (subida de 2,56%), no Aviso n.º 24199/2026/2 (Diário da República, 2.ª série, n.º 191, de 1 de outubro de 2026). Aplica-se sobre a renda em vigor na data da atualização. Exemplo: uma renda de €800 passa a €820,48 (+€20,48).

Quando posso atualizar?

Se o contrato não fixar outro regime, a primeira atualização pode ser exigida um ano depois do início do contrato e as seguintes, sucessivamente, um ano depois da atualização anterior (artigo 1077.º, n.º 2, alínea b), do Código Civil). Se o teu contrato começou a 1 de março, a primeira atualização pode ser a partir de 1 de março do ano seguinte (não antes).

Se num ano não atualizares, os aumentos que não fizeste não se recuperam: não podes cobrar a diferença dos meses que já passaram. Mas o coeficiente desse ano não se perde logo. Podes aplicá-lo em anos posteriores, desde que não tenham passado mais de 3 anos sobre a data em que o podias ter aplicado pela primeira vez (artigo 1077.º, n.º 2, alínea d)).

Atenção ao limite de 3 anos Passados 3 anos sobre a data em que um coeficiente podia ter sido aplicado pela primeira vez, esse coeficiente já não pode ser usado. E, em qualquer caso, as rendas dos meses que já passaram não se recuperam.

Como comunicar a atualização

A atualização só é eficaz se comunicada por escrito ao inquilino com pelo menos 30 dias de antecedência. A comunicação deve indicar:

  1. O coeficiente aplicado (ex: 1,0224 para 2026).
  2. O valor da renda atual e o valor atualizado.
  3. A data a partir da qual entra em vigor.
  4. A base legal (artigo 1077.º do Código Civil).

Forma da comunicação: idealmente carta registada com aviso de receção, ou email com confirmação de leitura. WhatsApp/SMS é territorialmente cinzento - funciona em juízo se reconhecido pelo inquilino, mas não é a melhor prova.

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E se o inquilino se recusar a pagar a renda atualizada?

Há um caminho de 4 passos:

  1. Insistir por escrito, anexando a comunicação anterior e jurisprudência sobre o coeficiente.
  2. Aceitar a renda antiga apenas como pagamento parcial, anotando o resto como em dívida.
  3. Após 3 meses de incumprimento parcial: resolução do contrato por incumprimento.
  4. Em paralelo: ação executiva contra o inquilino e o fiador para recuperar as diferenças.

Contratos antigos vs novos

Há uma distinção importante:

Posso aplicar um coeficiente superior ao do INE?

Em geral, não. O coeficiente legal é o teto. Aplicar 5% quando o INE manda 2,24% é abusivo e o inquilino pode contestar.

A excepção é quando há cláusula contratual expressa que prevê outra forma de atualização (ex: 50% do IPC). Mas mesmo aí, há limites de razoabilidade fiscalizados em tribunal.

Coeficientes publicados (2021-2027)

AnoCoeficienteVariação
20210,9997-0,03%
20221,0043+0,43%
20231,02 (fixado pela Lei n.º 19/2022)+2%
20241,0694+6,94%
20251,0216+2,16%
20261,0224+2,24%
20271,0256+2,56%

Fonte: avisos do INE publicados no Diário da República, 2.ª série (Avisos n.º 15365/2020, n.º 17989/2021, n.º 20980-A/2023, n.º 23099/2024/2, n.º 23174/2025/2 e n.º 24199/2026/2) e, para 2023, artigo 2.º da Lei n.º 19/2022, de 21 de outubro.